post-title Planejar a iluminação pode fazer diferença na conta de luz 2008-02-26 23:05:19 yes no Publicado por: Categorias: Notícias

Planejar a iluminação pode fazer diferença na conta de luz

 

Parar e pensar um pouco sobre onde, como e com que equipamentos e lâmpadas se iluminará um ambiente pode resultar numa economia de até 30% na conta de luz. Além de cuidar da estética dos ambientes, a luminotécnica é uma especialidade que pode ajudar a racionalizar o consumo de energia.

 

Para entender os conceitos básicos da luminotécnica a Revista Sustentabilidade entrevistou o consultor técnico da Enerconsult, José Luiz Pimenta.

Pimenta é engenheiro elétrico formado pela Escola Politécnica da USP e posteriormente professor, em 1998 pela mesma escola. É também membro da Illumination Engineering Society of North America – IESNA – e consultor do comitê de iluminação de rodovias – RLC.

Além do planejamento, explicou Pimenta, os especialistas em iluminação acompanham o lançamento de novos produtos no mercado, acompanhamento que mostra uma indústria cada vez mais atenta à necessidade de aprimorar a eficiência dos produtos usados na iluminação.

Segundo Pimenta um erro comum é pensar que uma iluminação mais potente significa que há qualidade e bom aproveitamento. Muito pelo contrário, é sinal de desperdício e em muitos casos é prejudicial à segurança e ao bom desempenho das atividades dos usuários.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Revista Sustentabilidade: Quais as técnicas eficientes de iluminação para economizar energia?

José Luiz Pimenta: As instalações de iluminação podem economizar energia de duas maneiras básicas: selecionando equipamentos e componentes de iluminação eficientes (lâmpadas, luminárias, reatores, etc.). Elaborando projetos de maneira correta, de modo a direcionar a luz apenas para onde ela é necessária, na quantidade certa, reduzindo-se ao mínimo os desperdícios.

Revista Sustentabilidade: No que a luminotécnica pode ajudar a eficiência energética?

Pimenta: A luminotécnica pode contribuir para a eficiência energética à medida em que cerca de 17% da demanda de energia elétrica no país é utilizada em sistemas de iluminação. Estima-se que cerca de um terço desta energia é desperdiçada em decorrência das perdas elétricas e luminosas relacionadas com o emprego de equipamentos e componentes ineficientes e com a instalação inadequada dos mesmos. Desta forma é possível lograr uma economia apreciável de energia mediante a correção dessas deficiências.

Revista Sustentabilidade: Quais as novidades na área de iluminação e quais podem ser denominadas como eficientes?

Pimenta: A grande maioria das novidades na área de iluminação diz respeito principalmente a produtos de maior eficiência, como as novas gerações de lâmpadas de descarga e ao aprimoramento da tecnologia de novas e promissoras fontes de luz, como é o caso dos diodos emissores de luz (LEDs). Uma outra característica que vem sendo melhorada a cada dia é o incremento da vida útil dos equipamentos e componentes de iluminação, tornando-os mais duráveis e menos susceptíveis a intervenções de manutenção periódica.

Revista Sustentabilidade: O que fazer para economizar o uso de energia em iluminação?

Pimenta: Para uma instalação já existente se deve primeiramente verificar sua adequação. Isto é, se a quantidade de luz não é menor ou maior do que a necessária. Na maior parte das situações as instalações estão superdimensionadas, pois o usuário adota o paradigma no qual a melhor qualidade da iluminação está relacionada com a maior quantidade de luz. Isto está errado. Luz em excesso é sinal de desperdício e em muitos casos é prejudicial à segurança e ao bom desempenho das atividades dos usuários.

Revista Sustentabilidade: Segundo alguns setores estamos à beira de uma crise de fornecimento de energia. É possível se economizar energia com um projeto de iluminação mais eficiente?

Pimenta: A economia da energia na iluminação pode e deve ser obtida por meio da eliminação dos desperdícios. É um erro promover o corte sistemático da energia utilizada na iluminação simplesmente desligando-se lâmpadas indiscriminadamente, como ocorreu no passado. No último ‘apagão’ [no racionamento de 2001-02] se decidiu pelo corte de parte da iluminação pública, ocasionando o aumento de atropelamentos noturnos, conforme noticiado em reportagem veiculada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Revista Sustentabilidade: Como está a indústria se preparando para os novos produtos de iluminação eficientes?

Pimenta: Apesar da maneira lenta, a indústria brasileira vem se esmerando na criação de novos modelos de equipamentos e componentes de iluminação mais eficientes e apropriados, inclusive com o emprego de novas tecnologias de fontes de luz.

Os LEDs, por exemplo, ainda são comercializados a preços bastante elevados, inviabilizando a sua aplicação em massa. É de se esperar entretanto, que, como ocorre com a tecnologia da informática, os preços dos LEDs declinem ao longo do tempo e se tornem mais atrativos que os das lâmpadas atualmente utilizadas. Vale observar que as lâmpadas incandescentes tradicionais, consideradas ineficientes, estão fadadas à obsolescência num futuro bem próximo.

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